Nisto conheceremos

Talvez a mais difícil aplicação do amor ensinado por Cristo seja termos que nos sacrificar pela vida de algum malfeitor. Esta é uma pergunta muito importante, citada no item 15 do Capítulo XI do Evangelho segundo o Espiritismo. E o texto complementar escrito a seguir, vem ratificar que sim, pois a devoção a Deus é cega e essa atitude pode representar não somente a salvação deste malfeitor na vida terrena, mas, também, na vida espiritual; é daí que percebemos quem de fato está sintonizado com a Paz Divina e que possui o espírito da verdade.

(…) Nisto conhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.” (I João, 4:6.)

Quando sabemos conservar a ligação com a Paz Divina, apesar de todas as perturbações humanas, perdoando quantas vezes forem necessárias ao companheiro que nos magoa; esquecendo o mal para construir o bem; amparando com sinceridade aos que nos aborrecem; cooperando espiritualmente, através da ação e da oração, a benefício dos que nos perseguem e caluniam; olvidando nossos desejos particulares para servirmos em favor de todos; guardando a fé no Supremo Poder como luz inapagável no coração; perseverando na bondade construtiva, embora mil golpes da maldade nos assediem; negando a nós mesmos para que a bênção divina resplandeça em torno de nossos passos; carregando nossas dificuldades como dádivas celestes; recebendo adversários por instrutores; bendizendo as lutas que nos aperfeiçoam a alma, à frente da Esfera Maior; convertendo a experiência terrena em celeiros de alegrias para a Eternidade; descortinando ensejos de servir em toda parte; compreendendo e auxiliando sempre, sem a preocupação de sermos entendidos e ajudados; amando os nossos semelhantes qual temos sido amados pelo Senhor, sem expectativa de recompensa; então, conheceremos o espírito da verdade em nós, iluminando-nos a estrada para a redenção divina.

Emmanuel (Espírito); [psicografado por] Francisco Cândido Xavier. Vinha de Luz. 27. ed. – 5ª reimpressão. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2012, capítulo 109, páginas 249 e 250.

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Não só

A caridade, se não for a maior, é uma das que mais se equivale ao significado do amor divino. E não se está tratando na leitura do item 14 do Capítulo XI do Evangelho segundo o Espiritismo da caridade material, da esmola. Está muito além disso; está na nossa capacidade de verdadeiramente perdoar as faltas cometidas contra nós, com consciência e entendimento.

Crédito: Bartosz Dubiel

E peço isto: que a vossa caridade abunde mais e mais em ciência e em todo o conhecimento.” – Paulo. (Filipenses, 1:9.)

A caridade é, invariavelmente, sublime nas menores manifestações, todavia, inúmeras pessoas muitas vezes procuram limitá-la, ocultando-lhe o espírito divino.

Muitos aprendizes creem que praticá-la é apenas oferecer dádivas materiais aos necessitados de pão e teto.

Caridade, porém, representa muito mais que isso para os verdadeiros discípulos do Evangelho.

Em sua carta aos filipenses, oferece Paulo valiosa assertiva, com referência ao assunto.

Indispensável é que a caridade do cristão fiel abunde em conhecimento elevado.

Certo benfeitor distribuirá muito pão, mas se permanece deliberadamente nas sombras da ignorância, do sectarismo ou da auto adoração não estará faltando com o dever de assistência caridosa a si mesmo?

Espalhar o bem não é somente transmitir facilidades de natureza material. Muitas máquinas, nos tempos modernos, distribuem energia e poder, automaticamente.

Caridade essencial é intensificar o bem, sob todas as formas respeitáveis, sem olvidarmos o imperativo de auto sublimação para que outros se renovem para a vida superior, compreendendo que é indispensável conjugar, no mesmo ritmo, os verbos dar e saber.

Muitos crentes preferem apenas dar e outros se circunscrevem simplesmente em saber; as atividades de todos os benfeitores dessa espécie são úteis, mas incompletas.

Ambas as classes podem sofrer presunção venenosa.

Bondade e conhecimento, pão e luz, amparo e iluminação, sentimento e consciência são arcos divinos que integram os círculos perfeitos da caridade.

Não só receber e dar, mas também ensinar e aprender.

Emmanuel (Espírito); [psicografado por] Francisco Cândido Xavier. Vinha de Luz. 27. ed. – 5ª reimpressão. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2012, capítulo 116, páginas 263 e 264.

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Couraça da Caridade

Nosso próximo texto explica, com alguns detalhes adicionais, que, para termos a fé alinhada a nossos atos de caridade, ensinado no Capítulo XI, item 13, do Evangelho segundo o Espiritismo, é necessário termos nosso coração blindado contra as vibrações opostas ao verdadeiro Amor de Cristo. Por mais difícil que venha a ser nosso caminho, temos que nos esforçar para não nos deixar abater pela indisposição de nossos irmãos, que ainda ignoram o verdadeiro significado da vida eterna e os meios de obtê-la.

Sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e da caridade.” – Paulo. (I Tessalonicenses, 5:8.)

Paulo foi infinitamente sábio quando aconselhou a couraça da caridade aos trabalhadores da luz.

Em favor do êxito desejável na missão de amor a que nos propomos, em companhia do Cristo, antes de tudo é indispensável preservar o coração.

E se não agasalharmos a fonte do sentimento nas vibrações do ardente amor, servidos por uma compreensão elevada nos círculos da experiência santificante em que nos debatemos na arena terrestre, é muito difícil vencer na tarefa que o Senhor nos confia.

A irritação permanente, diante da ignorância, adia as vantagens do ensino benéfico.

A indignação excessiva, perante a fraqueza, extermina os germes frágeis da virtude.

A ira frequente, no campo da luta, pode multiplicar-nos os inimigos sem qualquer proveito para a obra a que nos devotamos.

A severidade demasiada, a frente de pessoas ainda estranhas aos benefícios da disciplina, faz-se acompanhar de efeitos contraproducentes por escassez de educação do meio em que se manifesta.

Compreendendo, assim, que o cristão se acha num verdadeiro estado de luta, em que, por vezes, somos defrontados por sugestões da irritação intemperante, da indignação inoportuna, da ira injustificada ou da severidade destrutiva, o apóstolo dos gentios receitou-nos a couraça da caridade, por sentinela defensiva dos órgãos centrais de expressão da vida.

É indispensável armar o coração de infinito entendimento fraterno para atender ao ministério em que nos empenhamos.

A convicção e o entusiasmo da fé bastam para começar honrosamente, mas para continuar o serviço, e terminá-lo com êxito, ninguém poderá prescindir da caridade paciente, benigna e invencível.

Emmanuel (Espírito); [psicografado por] Francisco Cândido Xavier. Fonte Viva. 36. ed. – 5ª reimpressão. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2012, capítulo 98, páginas 253 e 254.

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Ninguém vive para si

O egoísmo é uma das grandes chagas da humanidade. Sem sombra de dúvidas, se nós nos dedicássemos mais ao nosso irmão, o nosso próximo que necessidade de auxílio, a maldade se dissiparia e o sofrimento não mais seria vivenciado por nós. Mas o egoísmo também é uma grande ilusão, pois ninguém vivi para si, isolado do mundo. Venham constatar essa verdade no texto complementar do Capítulo XI, itens 11 e 12, do Evangelho segundo o Espiritismo.

Crédito: Ireena Worthy

Porque nenhum de nós vive para si…” – Paulo. (Romanos, 14:7.)

A árvore que plantas produzirá não somente para a tua fome, mas para socorrer as necessidades de muitos.

A luz que acendes clareará o caminho não apenas para os teus pés, mas igualmente para os viajores que seguem ao teu lado.

Assim como o fio d’água influencia a terra por onde passa, as tuas decisões inspiram as decisões alheias.

Milhares de olhos observam-te os passos, milhares de ouvidos escutam-te a voz e milhares de corações recebem-te os estímulos para o bem ou para o mal.

“Ninguém vive para si…” – assevera-nos a Divina Mensagem.

Queiramos ou não, é da Lei que nossa existência pertença às existências que nos rodeiam.

Vivemos para nossos familiares, nossos amigos, nossos ideais…

Ainda mesmo o usurário exclusivista, que se julga sem ninguém, está vivendo para o ouro ou para as utilidades que restituirá a outras vidas superiores ou inferiores para as quais a morte lhe arrebatará o tesouro.

Compreendendo semelhante realidade, observa o teu próprio caminho.

Sentindo, pensas.

Pensando, realizas.

E tudo aquilo que constitui tuas obras, através das intenções, das palavras e dos atos, representará influência de tua alma, auxiliando-te a libertação para a glória da luz ou agravando-te o cativeiro para o sofrimento nas sombras.

Vigia, pois, o teu mundo íntimo e faze o bem que puderes, ainda hoje, porquanto, segundo a sábia conceituação do Apóstolo Paulo, “ninguém vive para si”.

Emmanuel (Espírito); [psicografado por] Francisco Cândido Xavier. Fonte Viva. 36. ed. – 5ª reimpressão. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2012, capítulo 154, páginas 377 e 378.

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